
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi retirado da prisão domiciliar e levado, na madrugada deste sábado (7), ao Regimento de Escolta Presidencial, unidade militar de elite responsável pela proteção de autoridades. A transferência ocorreu após protestos em frente à residência do político, que sofreu impeachment e foi detido na sexta-feira (6) por suspeita de envolvimento no escândalo envolvendo a quebra do Ueno Bank.
Segundo o jornal paraguaio La Nación, a mudança de local de detenção foi organizada pelos militares para conter o aumento das hostilidades. De acordo com o Infobae, três caminhonetes participaram da operação.
Peña havia sido preso em casa por determinação do Ministério Público. A crise provocou revolta entre cidadãos, já que a intervenção no banco deixou clientes sem acesso a contas e investimentos. Conforme o ABC Color, a inteligência paraguaia identificou a possível presença de agitadores entre os manifestantes reunidos diante da residência do ex-presidente. Eles teriam vindo de um protesto no centro de Assunção com o objetivo de provocar confrontos.
Durante os episódios de violência, o comissário Pedro Barbera, chefe da 10ª Delegacia, ficou ferido no supercílio. Vizinhos de Peña, no bairro de La Piedad, também se reuniram para exigir que ele fosse encaminhado à Penitenciária Nacional de Tacumbú, em vez de permanecer em prisão domiciliar.
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O ex-presidente deve deixar temporariamente a unidade militar para comparecer à primeira audiência do caso, marcada para as 11h deste sábado, no horário local.
Entenda o escândalo do Ueno Bank A crise política se intensificou após a quebra do Ueno Bank, instituição da qual Peña, de 47 anos e ex-economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), foi acionista até 2025. O banco recebeu US$ 850 milhões em fundos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Quase 40% da população paraguaia mantinha contas na instituição. Após a intervenção do Banco Central, motivada pelo elevado índice de insolvência, inferior a 50%, os clientes perderam o acesso ao dinheiro depositado.
Três dias depois do colapso financeiro, o Senado aprovou por unanimidade o impeachment de Peña. O Ministério Público pediu a prisão do ex-presidente e também do antigo presidente do Banco Central, Carlos Carvallo. As acusações contra Peña incluem suspeitas de abuso de confiança, tráfico de influência e peculato.
Renúncia rejeitada e novo presidente Antes do afastamento, Peña tentou renunciar, mas o pedido foi rejeitado. A defesa também solicitou 72 horas para analisar as provas e acesso integral à acusação, mas não conseguiu adiar o julgamento. Os advogados alegaram desrespeito à ampla defesa e ao devido processo legal.
Em publicação no X, Peña justificou a renúncia como uma tentativa de evitar mais danos ao país e reduzir a instabilidade. Com seu afastamento, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do Paraguai. Integrante do Partido Colorado, ele é próximo de Horacio Cartes, ex-presidente e antigo aliado político de Peña.
Trajetória política Eleito em abril de 2023, Peña chegou à Presidência pelo Partido Colorado, com apoio de Cartes, que o havia indicado ministro da Economia. Economista de perfil tecnocrático, tinha carreira acadêmica, mas pouca experiência política. Conservador, defendia a chamada família tradicional e se posicionava contra a legalização do aborto. Também foi criticado por afirmar que a ditadura de Alfredo Stroessner trouxe estabilidade ao país.
A oposição ainda questionava possíveis conflitos de interesse relacionados à participação de Peña no grupo controlador do Ueno e à concentração de recursos previdenciários na instituição.
Após impeachment, Ministério Público do Paraguai ordena detenção imediata de ex-presidente Polícia diz que já comunicou Santiago Peña, que fica detido em casa até se apresentar à Procuradoria; também há ordem contra ex-diretor do Banco Central. Ex-presidente foi acionista do Ueno Bank, que teve funcionamento suspenso por indícios de irregularidades
Folhapress | 20:48 – 06/11/2026




