
Hospitais e clínicas alegam falta de pagamento e afirmam que acordos anteriores não foram cumpridos. Servidores públicos e pacientes podem ficar sem consultas, exames e procedimentos eletivos. A saúde do Tocantins enfrenta um novo momento de tensão. Hospitais e clínicas da rede complementar anunciaram que, a partir desta quinta-feira, 5 de novembro, estarão suspensos os atendimentos eletivos pelo plano Servir. A medida também envolve os serviços eletivos prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito pelo Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Tocantins (Sindesto), que cobra do Governo do Estado o pagamento de uma dívida estimada em R$ 274 milhões. A situação coloca o governador Wanderlei Barbosa diante de uma cobrança que exige respostas. O plano Servir é de responsabilidade do Governo do Tocantins, administrado por meio da Secretaria de Estado da Administração (Secad), e os prestadores de serviços afirmam que não conseguem continuar trabalhando sem receber pelos atendimentos realizados. Segundo os números apresentados pelo sindicato, aproximadamente R$ 168 milhões correspondem a débitos relacionados ao Servir, enquanto outros R$ 106 milhões são referentes aos serviços prestados ao SUS. Hospitais não funcionam com promessas Hospitais e clínicas não funcionam com promessas. Funcionam com pagamentos, recursos e compromissos cumpridos. São instituições que precisam pagar médicos, funcionários, fornecedores, medicamentos, equipamentos e manter toda uma estrutura para atender a população. Segundo o Sindesto, já houve negociações e acordos para regularizar os pagamentos, mas os compromissos não teriam sido cumpridos conforme esperado. Diante desse cenário, os prestadores de serviços afirmam que chegaram ao limite e que não conseguem manter os atendimentos sem receber pelos serviços já realizados. Promessa não paga folha salarial, não compra medicamentos e não mantém hospital funcionando. Servidores e pacientes pagarão a conta O maior prejuízo dessa situação poderá cair justamente sobre quem mais precisa de assistência médica. Servidores públicos, aposentados e dependentes que contribuem para o Servir podem ficar sem consultas, exames e procedimentos eletivos. Pacientes atendidos pelo SUS também poderão enfrentar dificuldades para conseguir atendimento na rede complementar. A pergunta que fica é: como um servidor que contribui mensalmente para um plano de saúde pode correr o risco de ficar sem atendimento por causa de uma dívida entre o Governo e os hospitais? Governo precisa apresentar uma solução O Governo do Tocantins precisa esclarecer o tamanho real da dívida, apresentar um calendário efetivo de pagamentos e buscar uma solução imediata para evitar que a crise se prolongue. A saúde não pode ficar refém de acordos que não saem do papel. Hospitais precisam receber pelos serviços prestados, servidores precisam ter acesso ao plano pelo qual contribuem e pacientes não podem ser abandonados em meio a um impasse financeiro. No final das contas, quando o Governo não cumpre seus compromissos financeiros com os prestadores de saúde, quem sofre as consequências é a população. A dívida é cobrada do Governo, mas quem pode ficar sem atendimento é o povo tocantinense. Foto: Divulgação



